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Pacientes portadores de insuficiência renal, aguda ou crônica, necessitam do tratamento de diálise, para suprir a deficiência dos rins. A diálise pode ser realizada por meio do sangue do paciente (Hemodiálise) ou através de catéteres, como o catéter de Tenckhoff, introduzidos no Peritônio(músculo abdominal), realizando o que chamamos de diálise Peritonial.

Através da cirurgia vascular, são realizados procedimentos que preparam o paciente para a Hemodiálise, entre eles as cirurgias de Fístula Arterovenosa e os implantes de catéteres venosos.

Os catéteres venosos para Hemodiálise, como Permicath, Shile, são introduzidos diretamente em uma veia (Subclávia, Jugular, Femoral ) e permitem que o sangue saia por uma via, passe pela máquina de Hemodiálise e volte ao paciente por outra via, ao mesmo tempo.

Nas cirurgias de Fístula Arterovenosa, uma veia é pré-selecionada e, por técnicas determinadas, é ligada a uma artéria tornando-se, depois de tempo adequado, apta a ser usada na Hemodiálise, também sendo usada como meio para que o sangue saia do paciente, passe pelo equipamento e volte modificado para o paciente.

Catéter de Permcath

Angiologia e Cirurgia Vascular No organismo humano, assim como nos demais organismos dos vertebrados superiores, encontramos complexo sistema circulatório onde sangue e linfa são transportados. Podemos considerar dois sistemas circulatórios distintos, que agem paralela e independentemente, um responsável pela circulação sangüínea e outro responsável pela circulação linfática. A circulação sangüínea é realizada através do coração, que funciona como uma bomba propulsora e todo um sistema de vasos arteriais e venosos. Ainda dentro da circulação sangüínea, temos a pequena circulação (pulmonar) e a grande circulação (sistêmica).

A pequena circulação, ou circulação pulmonar, ocorre entre o coração e os pulmões: o sangue sai do ventrículo direito cardíaco e, através da artéria pulmonar, vai para os pulmões onde ocorrem as trocas gasosas, isto é, o sangue deixa o excesso de gás carbônico e recebe oxigênio. Através da veia pulmonar o sangue volta ao átrio cardíaco esquerdo. A grande circulação, ou circulação sistêmica, ocorre entre o coração e todo o organismo: o sangue sai do ventrículo esquerdo cardíaco e, através da artéria Aorta, parte para ser distribuído por todo o organismo, retornando ao átrio cardíaco direito através das veias Cava Superior e Cava Inferior. Por meio da circulação sistêmica, o sangue leva nutrientes, oxigênio e elementos vitais para cada célula e retorna trazendo subprodutos do metabolismo celular. A circulação linfática age independentemente da circulação sangüínea e o seu conteúdo, a linfa, através dos vasos linfáticos, acaba por desembocar no sistema venoso na confluência das veias Jugular Interna e Subclávia.

O sistema linfático transporta a linfa a partir dos espaços intersticiais, através dos capilares linfáticos, que recolhem os líquidos extravasados dos vasos sangüíneos. Dos capilares linfáticos, a linfa prossegue nos vasos linfáticos, chega aos troncos linfáticos e destes desemboca no ducto linfático, à direita e no ducto torácico, à esquerda.Ao longo dos vasos linfáticos encontramos os linfonodos, estruturas formadas por linfócitos encapsulados que filtram a linfa, retendo partículas estranhas e produzem células de importante função imunológica como linfócitos e plasmócitos. Portanto, no sistema circulatório humano notamos três tipos de estruturas condutoras, através das quais ocorrem a circulação sangüínea e a circulação linfática: artérias, veias e vasos linfáticos, estruturas estas diferentes morfológica e fisiologicamente.

Deve-se ainda salientar que a circulação arterial age independentemente da circulação venosa. A Angiologia trata do estudo dos vasossangüíneos e linfáticos e referentes sistemas circulatórios, sua anatomia, fisiologia, suas disfunções e patologias. A cirurgia vascular interfere nestes sistemas a fim de restaurar a circulação e sanar ou minimizar as conseqüências decorrentes de sua deficiência. Os procedimentos cirúrgicos vasculares abrangem as cirurgias arteriais, venosas, linfáticas, cirurgias que envolvem veias e artérias e, como mais recente item da cirurgia vascular, a cirurgia Endovascular que, através da Radiologia Intervencionista, surge como inovação e técnicas diferenciadas das cirurgias convencionais.

Esquema da Pequena e da Grande Circulação


Anatomia do Coração


Vasos Sangüíneos

As Angioplastias são cirurgias endovasculares realizadas para o tratamento de doenças arteriais oclusivas ou para corrigir estenoses e lesões traumáticas. Fazem uso de balões e stents.Por meio de punção e cateterismo arterial,são introduzidos os catéteres de acesso e as endopróteses.

As Angioplastias são cirurgias endovasculares realizadas para o tratamento de doenças arteriais oclusivas ou para corrigir estenoses e lesões traumáticas. Fazem uso de balões e stents.Por meio de punção e cateterismo arterial,são introduzidos os catéteres de acesso e as endopróteses.

Artéria Carótida com Estenose


Artéria Carótida pós Angioplastia

Lesões arteriais podem ser causadas por traumas, patologias ou ainda podem ser decorrentes de anomalias genéticas.Entre as patologias arteriais a de maior incidência atualmente é a Aterosclerose ou Doença Aterosclerótica,na qual ocorrem alterações das paredes arteriais(de início internamente,progredindo até as paredes externas),devido ao acúmulo de lipídeos(gorduras),hidratos de carbono,produtos do sangue e tecido fibroso.Normalmente ocorre no homem após os quarenta anos de idade.

A Doença Aterosclerótica não deve ser confundida com a Arteriosclerose,que significa o espessamento das paredes arteriais e, distúrbio circulatório,decorrente do envelhecimento biológico natural do individuo. Algumas artérias são mais susceptíveis à Aterosclerose, como Coronárias,Carótidas,Aorta Abdominal,Femorais e outras.Com a progressão da Aterosclerose,caracterizada pelo aumento dos ateromas(placas que se formam dentro das artérias),ocorrem desde estenoses(estreitamento da luz arterial)até oclusão total da artéria,impedindo o fluxo sangüíneo.

Podem ainda ocorrer desfragmentações dos ateromas que entram na circulação causando tromboses em órgãos ou estruturas distantes.Entre as cirurgias arteriais,as de maior ocorrência são as Endartectomias,Aneurismectomias,Pontes e Enxêrtos Vasculares e as cirurgias Endovasculares realizadas através da Radiologia Intervencionista.

Parede Interna de Artéria Ateromatosa


Anatomia Arterial

Veias perfurantes ou comunicantes são veias que passam através da musculatura e ligam o sistema venoso superficial ao sistema venoso profundo. Por hipertensão venosa no sistema profundo,ou insuficiência das veias perfurantes,ou ambos,ocorre a transmissão da deficiência do sistema profundo ao outro,ocasionando varizes,ulcerações e outras patologias na pele dos membros inferiores.

O tratamento cirúrgico vai depender do estado da pele:se a pele estiver sã e não ocorrerem ulcerações,as veias doentes podem ser extirpadas por incisões na pele.Porém,se a pele estiver enferma e/ou com ulcerações,há necessidade de técnicas cirúrgicas mais complexas ou,conforme o caso,optar por tratamento clínico.

Úlcera Varicosa

A primeira opção é o tratamento fisioterápico, como a TFC (Terapia Física Complexa) idealizada pelo médico húngaro Michael Foldi, que inclui drenagem linfática manual, contenção (elástica ou inelástica), melhora das condições da pele e exercícios linfomiocinéticos. O intuito é levar a linfa de lugares represados para outro, onde não haja bloqueio. O resultado depende do tipo do linfedema, sendo mais eficaz em linfedemas sem fibrose e linfangite.

Quando o tratamento fisioterápico é ineficaz, pode-se recorrer ao tratamento cirúrgico em casos bem específicos.Isto porque os procedimentos cirúrgicos usam de ressecções dos vasos linfáticos,o que não auxilia na drenagem fisiológica das áreas afetadas e destroem parte do sistema linfático,o que irá dificultar o tratamento de fisioterapia.

Ganglio Linfático

A insuficiência venosa crônica é caracterizada por dores, sensação de peso e cansaço,cãibras,edema e queimação nos membros inferiores,além da dilatação das veias superficiais(varizes). Acomete grande parte da população mundial.Os sinais aparentes desta patologia podem ser desde telangiectasias(vasinhos),veias dilatadas (varizes) até alterações da pele com hiperpigmentação(manchas escuras),eczema e ulcerações.

Os fatores de base desta doença são anormalidades do tecido das paredes venosas assim como alterações nas válvulas (estruturas características das veias que controlam o fluxo do sangue). Tromboses que ocorreram anteriormente, ou obstrução venosa,também podem ser causadores das alterações venosas,em menor incidência,assim como anomalias congênitas.

O tratamento para varizes de membros inferiores pode ser clínico ou cirúrgico, conforme o caso. O tratamento clínico consiste no uso de medicamentos para minimizar os sintomas,auxiliar na cicatrização de úlceras e melhora do quadro inflamatório.Hábitos como prática de exercícios,alimentação adequada,evitar fumo e determinados medicamentos (como hormônios femininos) também contribuem para a melhora do quadro.

O tratamento cirúrgico consiste basicamente na extirpação das veias varicosas e exige técnicas cirúrgicas conforme o caso. As cirurgias venosas mais incidentes são as cirurgias de varizes dos membros inferiores.

Úlcera Varicosa

Embolização é a oclusão dos vasos Sangüíneos, visando diminuir a vascularização de uma região. Atualmente, existem várias maneiras de se ocluir um leito vascular, causando isquemia parcial ou completa, permanente ou temporária, conforme necessidade.

Este procedimento pode ser utilizado em várias patologias, como fístulas arterovenosas, varizes esofágicas, úlceras gastroduodenais, leiomiomas uterinos, pseudo-aneurismas, tumores hepáticos, ósseos e metastáticos, malformações arteriovenosas, varicocele, varizes pélvicas, traumatismos e sangramentos de diversas causas.

As embolizações terapêuticas fazem parte da cirugia Endovascular e são realizadas através da Radiologia Intervencionista.
Técnica cirúrgica na qual é retirada parte da estrutura interna da artéria doente juntamente com a placa obstrutiva (ateroma) para restaurar a luz arterial e restabelecer o fluxo sangüíneo.
Com o avanço das técnicas cirúrgicas, a cirurgia Endovascular substitui atualmente grande parte das cirurgias vasculares convencionais.Por meio de cateterismo e com auxílio da radiologia,endopróteses vasculares são estruturas tubulares colocadas internamente nas artérias lesadas.São feitas de material biológico ou sintético e revestidas de malha metálica.

São compostas por três componentes básicos,os stents,o enxêrto e o sistema de introdução e liberação da endoprótese.Os stents se expandem dentro da artéria para corrigir seu diâmetro.Podem ser usadas para correção de aneurismas de artérias Aorta,Ilíacas,Femorais e outras podem também ser usadas para corrigir estenoses,ampliando o diâmetro arterial e,assim,aumentando o fluxo sangüíneo.

Por serem colocadas por meio de punção e cateterismo,as endopróteses são opção de escolha também em casos de traumatismo,quando o acesso é difícil pelas técnicas convencionais e há risco hemorrágico e de lesão em estruturas vizinhas.

As cirurgias endovasculares que usam endopróteses para corrigir o diâmetro arterial são chamadas Angioplastias.

Stent Bifurcado Braile


Endoprótese em Artéria Aorta

São estruturas tubulares constituídas de material sintético (Dacron, PTFE) ou biológico(pericárdio bovino),colocados de modo a substituir a estrutura lesada do vaso sangüíneo. Os enxêrtos podem também ser obtidos do próprio paciente durante o ato cirúrgico,como as veias Safena e outras que substituem as artérias doentes (como as Pontes de Safena implantadas nas artérias Coronárias).

Enxêrto Arterial

Escleroterapia é o tratamento terapêutico para microvarizes ou telangiectasias, popularmente chamadas "vasinhos", através de substâncias esclerosantes que provocam fibrose nos vasos. Este tratamento é indicado para varizes de pequeno diâmetro, entre 0,1 e 1,0 mm.

Telangiectasias

As cirurgias Endovasculares podem ter caráter terapêutico, como as embolizações terapêuticas,ou profilático,como no implante de filtro de veia Cava:

Existem pacientes pré-dispostos a embolizar,isto é,com tendência a ter coagulação do sangue dentro dos vasos sangüíneos e, consequentemente, apresentarem embolia pulmonar, tromboses ou outras complicações decorrentes.

O tratamento clínico nem sempre é possível ou eficiente.Como opção profilática,nestes casos,o implante de filtro de veia Cava,introduzido na veia por cateterismo,tem como função impedir a passagem dos êmbolos para o coração e daí para os pulmões,evitando a embolia pulmonar e possível morte do paciente.
A Radiologia Intervencionista é uma especialidade médica ligada à Radiologia, realizada em salas apropriadas para procedimentos radiológicos e só pode ser exercida por médicos devidamente especializados. Através da Radiologia Intervencionista são realizadas as cirurgias Endovasculares.

Estes procedimentos fazem parte das chamadas cirurgias minimamente invasivas.A Radiologia Intervencionista auxilia também em cirurgias de outras especialidades como Ginecologia (na embolização de miomas uterinos),na Gastroenterologia(na embolização do baço),na Oncologia(nas quimioterapias locorregionais) e outras.

Sala de Radiologia Intervencionista

Técnica cirúrgica usada para desobstruir os vasos sangüíneos (arteriais ou venosos) que sofreram oclusão crônica ,aguda ou subaguda. Várias podem ser as causas das obstruções arteriais,desde as causadas por ateromas até as causadas por doenças sangüíneas,câncer ou outras patologias.Nesta técnica,são introduzidos catéteres intravasculares,como o catéter de Fogart,que retiram os trombos,desobstruindo os vasos.

Catéter de Fogarty para Embolectomia